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Do UOL - Imagine um problema ginecológico que vai além do seu corpo, afeta sua família, seu parceiro, seus filhos e parentes. Com ela, nenhuma área da vida fica ilesa, inclusive sua intimidade". Foi assim que uma mulher inglesa descreveu o impacto negativo da endometriose em sua vida durante um fórum dedicado a essa enfermidade. De fato, ela pode ser difícil.
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A endometriose é uma doença inflamatória provocada por células do endométrio (o tecido que reveste o útero) que, em vez de serem expelidas no período menstrual, movimentam-se no sentido contrário, ou seja, para fora do útero, caem nos ovários ou na cavidade abdominal, e podem causar sangramento e dor, além de dificuldade para engravidar.
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Mais comum na idade reprodutiva (13 a 45 anos), acomete 1 em cada 10 mulheres. No Brasil, isso representa cerca de 7 milhões de pessoas. Para metade destas, a cada ano, 17 dias serão passados na cama em razão da endometriose. Aliás, a patologia está relacionada a altas taxas de absenteísmo (faltas no trabalho) e presenteísmo (trabalhar em condições inadequadas).
Por que isso acontece?
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Até o presente momento, não se sabe qual é a origem da doença. O que é certo é que ela depende da menstruação para se manifestar. Após a menopausa os sintomas reduzem sensivelmente e é raro que ela se desenvolva após esse período.
As hipóteses sobre as possíveis causas da doença abrangem desde genética, até questões ambientais. Contudo, duas teorias prevalecem entre os cientistas. A primeira é que ela decorre do refluxo da menstruação - menstruação retrógrada - (a mulher menstrua e o sangue reflui pela cavidade abdominal); a segunda, defende a presença de alterações imunológicas.
"O casamento desses fatores justificam a razão de a mulher moderna ter mais endometriose: ela menstrua mais, tem menos filhos, vive mais tempo. Além disso, o gatilho imunológico se relaciona a fatores ambientais como o estresse, entre outros", fala Maurício Simões Abrão, chefe do Setor de Endometriose do HCFMUSP.
O desafio para os médicos é que existe uma estimativa de que 90% das mulheres têm menstruação retrógrada pelas trompas. Apesar disso, somente 10% delas (ou menos que isso) vão desenvolver a doença. Portanto, outros fatores podem estar envolvidos.
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Saiba reconhecer os sintomas
A endometriose se manifesta de formas diferentes, o que significa que ela pode até não apresentar sintoma algum (é assintomática). Quando os sintomas estão presentes, o mais comum é a cólica. Os médicos afirmam que esses sinais são conhecidos como os seis "Ds".
Confira:
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Dor na menstruação (intensidade forte, com característica progressiva (com o passar do tempo ela dura cada vez mais e piora em intensidade); Dor entre as menstruações;
Dor na relação sexual (penetração profunda); Dor para evacuar durante a menstruação;
Dor para urinar durante a menstruação;
Dificuldade para engravidar.
Qual é a hora de procurar o médico?
Quando a cólica menstrual incomoda demais, não permite que você se concentre no trabalho, requer consumo de remédios como antiespasmódicos, anti-inflamatórios ou analgésicos para o controle da dor, todos os meses, ela não deve ser considerada normal e precisa ser avaliada.
Caso some-se a essa sensação intensa dor na relação sexual - e você percebe que ela tem piorado com o passar do tempo, converse com um ginecologista sobre a possibilidade de ter endometriose.