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O que se sabe sobre a subvariante BA.2 da linhagem Ômicron, que chegou ao Brasil
Transmissibilidade, sintomas, imunidade e impactos para as vacinas e métodos de diagnóstico: confira os principais achados sobre a nova linhagem do vírus

Publicado em 09/02/2022 08:21

Foto/Reprodução


Da CNN - A variante Ômicron do novo coronavírus foi identificada em novembro de 2021. Desde a classificação da cepa como uma variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foram detectadas diferentes outa linhagens da variante, incluindo subvariantes chamadas de BA.1, BA.1.1, BA.2 e BA.3. A linhagem  BA.2 apresenta um grande número de mutações que se diferem daquelas identificadas na cepa BA.1.

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Nas últimas semanas, foi observado um aumento relativo de casos associados à subvariante BA.2 em vários países. 

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Pelo menos 57 países já enviaram sequências genéticas de amostras pertencentes à subvariante ao bancos de dados internacionais. A proporção semanal de BA.2 em relação a outras sequências de Ômicron aumentou em mais de 50% durante as últimas seis semanas em vários países.

Segundo a OMS, que realiza o monitoramento constante da evolução do SARS-CoV-2, até o momento não foi possível estabelecer como e onde as subvariantes da Ômicron se originaram e evoluíram.

No Brasil, os primeiros casos da subvariante BA.2 foram identificados no início de fevereiro pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foram dois casos no Rio de Janeiro e um em Santa Catarina. A confirmação foi feita a partir do sequenciamento genômico das amostras pelo Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

O Ministério da Saúde informou ter recebido a notificação de sete casos da linhagem no Brasil, incluindo outros três casos no estado de São Paulo e um no Rio de Janeiro.

A OMS enfatiza que neste momento devem ser priorizadas investigações sobre as características da subvariante BA.2, incluindo transmissibilidade, além de propriedades de escape imune e virulência.

“A subvariante ainda é muito nova, em termos de circulação, para tirarmos grandes conclusões. Têm vários grupos de pesquisa onde o vírus está circulando com um número maior de casos trabalhando para buscar melhor entendimento. Os resultados ainda são um pouco conflitantes devido à amostragem utilizada nas pesquisas”, afirma a pesquisadora Marilda Siqueira, da Fiocruz.

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Entenda o que já se sabe e o que permanece incerto sobre a linhagem.

Transmissibilidade

Na Dinamarca, a subvariante BA.2 se tornou predominante substituindo a subvariante BA.1, segundo um estudo. Com base em dados nacionais, os pesquisadores estimaram a dinâmica de transmissão das duas linhagens após a disseminação da Ômicron no país entre o final de dezembro e o início de janeiro.

Foram analisados mais 8,5 mil casos registrados no país. Os resultados foram publicados em formato preprint, ainda sem revisão por pares.

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Pesquisadores verificaram que a subvariante BA.2 se mostrou significativamente mais transmissível que a linhagem BA.1 e também possui propriedades de escape das respostas imunológicas, o que pode reduzir em parte o efeito protetor da vacinação. No entanto, não foi observado aumento da transmissibilidade a partir de indivíduos vacinados que apresentaram a infecção.

A variante Ômicron, de qualquer forma, apresenta uma alta transmissibilidade, principalmente em comparação com outras linhagens do vírus. Desde que foi identificada, a variante se tornou predominante no mundo em menos de três meses.

“Como a Ômicron é uma variante que possui uma taxa de replicação e de disseminação ainda maior que a Delta, já especulávamos que novas linhagens pudessem surgir a partir dessa disseminação intensa da Ômicron pelo mundo”, afirmou o pesquisador Flávio Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV).

Segundo Fonseca, o Brasil deve apresentar uma redução no número de casos de Covid-19 associados à variante Ômicron nas próximas semanas.

“Em todo o Brasil, a gente começa a ver sinais de estabilidade ou queda. Isso está refletindo o que já vimos em outros países, que tiveram essa onda causada pela Ômicron antes. Temos essa possibilidade de observar os países que, desde o início da pandemia, vem tendo ondas antes do hemisfério Sul”, afirma.

O virologista destaca que a subvariante BA.2 é mais uma linhagem detectada da Ômicron e que outras poderão surgir. “A BA.2 provavelmente não vai ser a última linhagem, outras surgirão e é importante manter essa vigilância genômica até para detectar se tem alguma dessas linhagens, ou mesmo uma nova variante, que apresente um risco global mais importante”, disse.

Sintomas e gravidade da doença são semelhantes

A infecção pela variante Ômicron tem apresentado um risco menor de doença grave e de morte em comparação com as cepas anteriores do SARS-CoV-2. De acordo com a OMS, esse fator pode ser fruto da combinação entre a gravidade mais baixa intrínseca da variante, conforme sugerido por vários estudos, e a eficácia da vacinação contra o agravamento da infecção.

No entanto, a OMS alerta que os altos níveis de transmissão resultaram em aumentos significativos na hospitalização, com impactos nos sistemas de saúde dos países. Nesta terça-feira (8), oito estados e o Distrito Federal permanecem com taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acima de 80%.

“Até o momento, os sintomas da infecção causada pelas variantes BA.1 e BA.2 têm sido os mesmos, mas precisamos de mais tempo para avaliar isso”, disse Marilda.

Eficácia das vacinas

Diante do surgimento de uma nova variante do coronavírus, o impacto para a eficácia das vacinas em uso contra a Covid-19 é uma das primeiras perguntas feitas pela comunidade científica global.

Os imunizantes foram desenvolvidos com o objetivo principal de reduzir as chances de agravamento e óbitos pela doença. No entanto, as pessoas vacinadas ainda podem contrair e transmitir o vírus – o que não representa uma falha das vacinas.

“As vacinas protegem diminuindo a questão de hospitalização. Em relação à Ômicron, estamos vendo aqui no Brasil um número de casos muito maior do que tivemos com outras variantes. No entanto, sem a vacinação, os números de hospitalizações e de mortes seriam muito maiores”, afirma Marilda.

Quando as vacinas são aplicadas, elas despertam diferentes mecanismos no organismo. Além da produção de anticorpos neutralizantes, elas promovem a ativação de outras células de defesa, os chamados linfócitos T. A resposta celular gerada pela vacinação também envolve células de memória do sistema imunológico que permanecem no corpo.

Um estudo publicado no periódico Science Immunology mostrou que os indivíduos vacinados mantêm a imunidade a partir das células T contra a Ômicron. A ação dessas células contribui para prevenir o agravamento da doença, mesmo diante de uma potencial redução na quantidade de anticorpos neutralizantes.

Até o momento, as vacinas continuam apresentando efetividade na proteção contra o agravamento e mortes pela doença, principalmente em pessoas que apresentam o esquema vacinal completo. Apesar disso, as farmacêuticas atuam no desenvolvimento de imunizantes com formulação específica contra a Ômicron.


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