Foto/Reprodução
Dois anos e três meses depois do sumiço de uma mulher de 40 anos, assim que ela chegou da Colômbia ao Aeroporto de Goiânia, o caso virou um quebra-cabeça na Justiça. Com 5 mil páginas e guerra de versões, inclusive de que o corpo teria sido incinerado em uma caldeira, o processo possui lacunas abertas por declarações dos réus, não comprovadas por perícia da Polícia Técnico-Científica de Goiás, mas que acabaram aproveitadas na denúncia.
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Uma nova audiência do caso está prevista para esta segunda-feira (9/5). Apesar de o Ministério Público de Goiás (MPGO) ter denunciado três pessoas pelo suposto homicídio, o corpo de Lilian de Oliveira nunca foi encontrado. Ela desapareceu em 13 de fevereiro de 2020.
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Os réus, que reclamaram de ameaça e tortura, estão soltos depois de ficarem presos quase três meses, de 29 de maio a 13 de agosto de 2020.
Tor tura
O MPGO foi contra uma manifestação da Corregedoria da Polícia Civil, que pediu arquivamento de processo disciplinar com indícios de que os réus só teriam admitido o suposto crime porque estavam sob tortura de policiais. “O inquérito policial retornou à corregedoria para novas diligências complementares, que já estão sendo realizadas”, informou a polícia, em nota ao Metrópoles.
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órgão acusou o produtor rural Jucelino Pinto da Fonseca, 61, que teve relação extraconjugal com a mulher, o que teria provocado brigas por causa de pagamento de pensão alimentícia após o nascimento de uma menina, hoje com 7 anos, cuidada por tia materna. Além dele, foram denunciados a babá Cleonice de Fátima Ferreira, 50, e Ronaldo Rodrigues Ferreira, 56. Os três foram denunciados pelo MPGO em 23 de abril de 2021.
“O corpo da vítima foi destruído ou ocultado pelos denunciados, e, de acordo com as versões apresentadas, pode ter sido queimado na caldeira existente na propriedade rural de Jucelino ou jogado em um dos rios existentes entre Goiânia e Pires do Rio”, diz um trecho da denúncia assinada pelo promotor de Justiça Sebastião Marcos Martins.
Reviravolta
No início das investigações, os três réus negaram o crime. No entanto, ao longo da apuração, Ronaldo admitiu participação na ação, mas apresentou duas versões diferentes: uma de que buscou Lilian no aeroporto, matou-a dentro do carro a caminho de Pires do Rio e jogou seu corpo no Rio Paranaíba. Em outro momento, disse que a levou para o laticínio de Jucelino, onde ambos reduziram o corpo a cinzas em uma caldeira.
No entanto, laudos de perícias da Polícia Técnico-Científica de Goiás negaram as duas possibilidades, considerando cruzamento de dados de localização de Ronaldo no dia e hora do suposto crime. Além disso, o relatório final indica que a fornalha não foi usada para incinerar o corpo de Lilian.
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"Nenhum vestígio”
“Não foi encontrado nenhum vestígio que indique que a vítima possa ter sido carbonizada no local (dentro ou fora da caldeira). Ao contrário, os elementos constatados e inferidos por meio do experimento realizado indicam que a caldeira não foi utilizada para este fim”, afirma um trecho do laudo. A perícia também não conseguiu identificar a pessoa que buscou Lilian no aeroporto.
Consta no processo, ainda, uma carta escrita por Ronaldo, na qual ele negou as confissões e afirmou que só as fez porque “estava muito desorientado de tanto ser torturado”. Ele também relatou que deixou Lilian no laticínio, com Jucelino, e depois seguiu para Itumbiara, a 208 km de Pires do Rio.
O produtor rural, por sua vez, negou o crime inicialmente e depois admitiu ser o mandante, mas não relatou como o suposto homicídio ocorreu.
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No dia da confissão, em 30 de maio de 2020, três meses e 17 dias após o desaparecimento, a família viu que ele estava com sinais de violência no corpo e chamou as comissões de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OABGO) e da Câmara Municipal de Goiânia, que solicitaram imediata realização de corpo de delito.