Pandemia
Alta da Covid em países da Europa e da Ásia vira alerta de que a pandemia não acabou; entenda em 4 pontos
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a questão tem a ver com uma congruência de fatores, como a estagnação da cobertura vacinal, flexibilizações sanitárias e mudança comportamental da população

Publicado em 16/03/2022 10:39

Foto/Reprodução


Do G1 - Depois de um período de intensas flexibilizações nas medidas sanitárias de prevenção ao novo coronavírus, diversos países europeus e asiáticos estão registrando um aumento considerável de casos da doença, o que desperta novamente a preocupação sobre o ressurgimento de uma nova onda da Covid.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a questão tem a ver com uma congruência de fatores, como a estagnação da cobertura vacinal, flexibilizações sanitárias e mudança comportamental da população.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Abaixo, entenda em 4 tópicos, as seguintes questões sobre o momento:

1 - Quais países estão registrando aumento de casos e hospitalizações?

Reino Unido, Áustria, Holanda, Grécia, Alemanha, Suíça e Itália são alguns dos países europeus que registraram um aumento na última semana, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, que faz o rastreamento da pandemia do coronavírus.

Somente na Alemanha, o número de casos diários passou de 67 mil no dia 6 de março para 237 mil na última sexta-feira (11).

Na Ásia, Hong Kong registrou uma média de mais de 21 mil novos casos por dia, um aumento de 28% em relação às últimas duas semanas. Já na China, que tem um registro histórico de casos muito menor que a maioria dos países, o índice de infecções vem aumentando rapidamente: 328 mil casos foram registrados entre 28 de fevereiro e 6 de março, um recorde para o país. Por causa do surto, o governo chinês colocou em confinamento quase 30 milhões de pessoas.

2 - Quais as principais explicações para a alta dos indicadores?

 

Para Expedito Luna, especialista em epidemiologia do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a retomada da Covid em algumas regiões do planeta é um fenômeno multifatorial. Um dos motivos é comportamental.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

"Eu acho que temos uma certa fadiga, um cansaço das medidas de distanciamento social, uso de máscara, tanto por parte das pessoas e quanto por parte dos governos. E há outras coisas que também afetam. Por exemplo, na França, a eleição presidencial está se aproximando, e há uma necessidade de contentar uma ala que protesta contra medidas de distanciamento", disse Luna.

Além disso, a vacinação avançou, mas ainda assim precisa continuar em campanha. De acordo com dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, pelo menos 75% da população da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu tomaram a primeira dose da vacina. Para a segunda dose, o percentual é de 72%, já para a dose adicional, o índice não chega a 52% da população desses países.

3 - Qual o papel da subvariante BA.2 nesse aumento?

Fernandes avalia que essas medidas afetam em especial os não-vacinados, ou aqueles que não completaram o ciclo vacinal e aponta para outro fato preocupante: o avanço da sub-linhagem BA.2 da ômicron

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

“Ela tem vantagens competitivas frente a outras variantes, e é bastante transmissível, fator que em conjunto com a inadequada cobertura vacinal, somada às flexibilizações amplas e ao clima frio do fim de inverno por lá (que leva a mais aglomerações em ambientes fechados), podem explicar o cenário atual na Europa”, pontua.

A subvariante "furtiva", como também é chamada por ter mutações que dificultam sua detecção em testes PCR, já é responsável por 48% de todas as infecções por Covid-19 na Alemanha, segundo índices do Instituto Robert Koch. Somado a isso, um estudo, que ainda não foi revisado por pares, sugere que ela é mais infecciosa do que a BA.1 e capaz de infectar mais pessoas vacinadas.

4 - Como fica o cenário para o Brasil?

Para os especialistas ouvidos pelo g1, o cenário epidemiológico vindo da Europa e da Ásia serve de alerta para as próximas semanas no Brasil.

"É importante acompanhar a dinâmica da pandemia por lá, e observar como os casos irão se comportar no Brasil", diz o virologista Anderson Brito.

Dados coletados pela Universidade de Maryland em parceria com o Facebook já indicam uma reversão de tendência para alguns estados, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. A pesquisa é feita com usuários da rede social e avalia os sintomas desses respondentes, o que serve como um alerta antecipado.

“Tomara que seja só uma oscilação, mas a gente tem um risco de ter esse mesmo cenário, sim”, aponta Schrarstzhaupt. “O Chile já está assim. O país está com quase 90% de cobertura de duas doses, quase 80% de terceira dose, e mesmo assim eles estão com um nível de óbitos similar a primeira onda e um nível de casos muito alto”.


COMPARTILHAR NO WHATSAPP