Polêmica
Modelo plus size gera polêmica. Padrões podem causar transtornos
A escolha da Victoria's Secret foi criticada por se tratar de uma 'mulher natural', e não acima do peso; pressão eleva risco de transtorno alimentar

Publicado em 20/10/2019 19:25 - Atualizado em 20/10/2019 19:25

Foto/Reprodução

A marca de lingerie Victoria’s Secret anunciou a norte-americana Ali Tate-Cutler como sua primeira modelo plus size. A chefe de cozinha Paola Carosella fez uma publicação no Twitter criticando a escolha. Segundo Paola, a marca está sendo irresponsável ao definir como "plus size", que designa pessoa acima do peso, uma modelo com proporções de uma mulher "real".   

A booker Deborah Neumann, da Ford Models, avalia que Ali tem manequim 42/46. Publicações de moda, como a Vogue Brasil, consideram 46.

O psiquiatra José Carlos Appolinario, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), afirma que a pressão social é uma das três causas do desenvolvimento de transtornos alimentares, um problema multifatorial. "Envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. A cultura ocidental, que supervaloriza a magreza, principalmente da mulher, contribui sim para o desenvolvimento [dessas doenças]”, afirma.

 

Ele avalia como positivo o movimento de inserir modelos com IMC "normal" na moda e publicidade. O IMC (índice de massa corporal) é um cálculo que considera peso e altura para verificar se a pessoa está com peso saudável ("normal").

“A indústria da moda sofreu muita pressão por conta das modelos muito magras. Pessoas com IMC normal, que não são magérrimas, se sentem mal. A pessoa com transtorno continua obcecada por modelos magras, mas o fato de ter pessoas com peso normal na indústria da moda e em propagandas contribui para um ambiente saudável”, afirma.

O médico alerta que as modelos de peso normal não devem ser classificadas como plus size, pois pode gerar um efeito contrário. Se aquele padrão é considerado plus size, a pessoa com transtorno alimentar entende que tem que ser mais magra do que aquilo. "Imagina a influencia que isso terá nas crianças", diz Appolinario. 

Deborah explica que a definição dos padrões plus size variam de acordo com cultura de cada país. “Mercado europeu e americano trabalha com 40/42. Aqui no Brasil, os números são de 44 a 46, algumas 48”, explica.

Para a booker, a palavra "curve" seria mais acertada para classificar Ali. O termo engloba modelos que têm manequim intermediário (42/44) e grande (+46). Segundo ela, o termo plus size é mais adequado apenas para pessoas com manequim superior a esse tamanho. “Passou do padrão do modelo magra, você se torna modelo curve”, afirma a booker.

Leia reportagem completa direto do R7


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